História

A rede de abastecimento de água[1]

Em 1907 a autarquia instala um depósito-fontanário na Avenida da Estação (abrindo posteriormente no local um poço servido por bomba de pressão) e um outro na Rua do Jazigo, recebendo água oferecida pelo Monsenhor Jerónimo Amaral através de canalização instalada a partir da Quinta de Prados. Durante vários anos, aliás, a Quinta de Prados fornece igualmente água às máquinas do caminho de ferro, ao Hospital e ao Liceu.

Só em 1926 se inicia um novo ciclo. A princípio, a autarquia ainda hesita entre as distantes nascentes do Alvão e a proximidade tentadora que constituía uma possível captação de águas no Corgo. Nesta sequência, em1928, começa a ser construído o depósito de distribuição do Arcabuzado (no actual Bairro de São Vicente de Paulo). Finalmente, no dia 9 de Junho de 1929, é lançada a água das nascentes na tubagem de adução.

 

Estação Elevatória de Codessais

Em 16 de Janeiro de 1929 (antes, portanto, da inauguração da rede de abastecimento de água) é redigida a primeira acta da Comissão Administrativa dos Serviços Municipalizados. Todavia, só em 30 de Janeiro de 1933 a Câmara aprova o respectivo regulamento. A partir daí fica estipulado que os recém constituídos Serviços compreendem a «instalação e exploração do abastecimento de água potável, produção, transporte e distribuição de energia eléctrica e saneamento de esgotos públicos necessários aos munícipes». Em Junho desse ano, a autarquia decide «considerar como completamente autónomos os Serviços Municipalizados de Luz, Água e Saneamento, com orçamento separado».

Ao longo dos anos 30 e 40, a rede inicial é gradualmente ampliada, enquanto se exploram novas captações na serra. A partir de 1939 a água consumida pelos diferentes serviços da Câmara Municipal passa a ser debitada à autarquia.

Destinada a abastecer a cidade em conjunto com as minas e drenos do Alvão, a captação de Codessais passa a explorar galerias abertas sob o rio que drenam para um poço central, de onde a água é bombeada para o depósito do Bairro de São Vicente de Paulo.

 

Sistema do Alvão

Entre 1974 e 1980, o número de consumidores ligados à rede de distribuição quase duplicou no concelho de Vila Real. A água disponível tornara-se uma vez mais insuficiente. Com este pano de fundo, o reforço do abastecimento assume contornos prioritários, que desembocam no projecto do chamado Sistema do Alvão. As respectivas obras têm início em 1980, ficando a primeira fase concluída quatro anos depois.

Daí em diante, Vila Real passa a dispor de duas barragens (ligadas entre si por uma canalização elevatória), situadas perto de Lamas de Olo, que no conjunto têm capacidade para armazenar um milhão e seiscentos e quarenta e cinco mil metros cúbicos.

Entretanto, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento decidem prolongar sucessivamente a rede, fazendo com que a distribuição em alta viesse a ficar com perto de 50 quilómetros de extensão.

Os consumos considerados quando se projectou o Sistema do Alvão foram de 160 litros por habitante e por dia. A obra custou para cima de 350 mil contos, tendo recebido comparticipação comunitária no valor de 220 mil contos, aproximadamente.

Em plano de destaque, mas sem menosprezar outras origens (como as minas da serra e a Estação Elevatória de Codessais), o Sistema do Alvão veio tornar possível o fornecimento de água a mais de 30 mil habitantes.

 

Sistema do Sordo

Ao longo dos anos 80, o número de consumidores ligados à rede volta a duplicar no concelho. No final da década, já com perto de 15 mil contadores instalados, toma-se a decisão de construir um novo sistema, capaz de reforçar o abastecimento ao município de Vila Real, fornecendo água paralelamente a todo o concelho de Santa Marta de Penaguião.

O processo começa com a construção de uma barragem no Rio Sordo, iniciada em 1991, e prossegue em anos seguintes, englobando as obras respeitantes à adução, aos depósitos e à estação de tratamento de água.

Em 1999, por fim, o Sistema do Sordo entra em funcionamento, articulando-se com o Sistema do Alvão, de forma a permitir no futuro abastecer mais de 76 mil habitantes com um volume anual de água que, no conjunto, se poderá aproximar dos seis milhões de metros cúbicos. Dimensionado em função de um consumo médio diário de 240 litros por habitante, e com um custo de aproximadamente dois milhões de contos, o Sistema do Sordo constitui um grande investimento supramunicipal, só possível mediante a comparticipação de fundos comunitários.

Da Estação de Tratamento de Água do Sordo partem duas condutas adutoras, uma para o concelho de Santa Marta de Penaguião e outra para servir o de Vila Real.

 

EMARVR

Em 20 de Agosto de 2003, a Câmara Municipal de Vila Real, com base em estudo prévio de viabilidade económica e financeira encomendado a uma instituição bancária, aprova a proposta de constituição de uma empresa municipal, cujo objecto social consistiria nas actividades anteriormente desenvolvidas pela pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, vindo mais tarde ainda a assumir a recolha e deposição de resíduos sólidos urbanos em todo o concelho de Vila Real.

Assim, 28 de Outubro de 2003 é formalmente constituída a EMARVR – Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real, EM., sendo posteriormente devidamente inscrita na Conservatória do Registo Comercial de Vila Real.

A EMARVR – Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real, EM., alterou a sua designação social em 20 de Setembro de 2013, com alteração dos respectivos estatutos, passando a designar-se por EMARVR, Água e Resíduos de Vila Real, E.M., S.A.

A EMARVR assume-se como uma empresa local, pessoa colectiva de direito privado, sob a forma de sociedade anónima, de capitais exclusivamente públicos, de âmbito municipal e de responsabilidade limitada. Goza de personalidade jurídica, é dotada de autonomia administrativa, financeira, patrimonial e de independência orçamental.

Permanecendo desde a sua constituição, como seu objecto social, a gestão e exploração dos sistemas públicos de captação e distribuição de água para consumo público, a recolha, tratamento e drenagem de efluentes, a recolha e drenagem de águas pluviais bem como, a recolha e deposição de resíduos sólidos urbanos em todo o concelho de Vila Real.

 

[1] Excerto elaborado tendo inicialmente por base o livro da autoria do Dr. Vítor Nogueira, denominado “Águas Públicas de Vila Real”, gentilmente cedido pelo autor para disponibilização no site oficial da empresa.